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Tio_Maluco

[Meio Bit] Diretor fala sobre a prática de escravidão no Conan Exiles.

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20180516conan-exiles.jpg
 
Vista em quase todas as civilizações que já passaram pela Terra, a escravidão é uma das práticas mais abomináveis da humanidade e por se tratar de um tema tão delicado, não é de se estranhar que ele quase nunca seja abordado nos games. Mas e quando o título fala sobre um universo onde isso é tão comum, como as histórias do Conan?

Ao fazer do Conan Exiles um jogo sandbox de sobrevivência, o pessoal da Funcom poderia ter evitado falar sobre a escravidão, mas ao invés de fazer isso, eles não só a incluíram no game, como a tornaram uma parte da jogabilidade, permitindo que os jogadores possam capturar inimigos que vagam pelo mundo do jogo e os coloquem para trabalhar para eles.

Presos a uma Roda da Dor, os lacaios precisarão ser alimentados e ter a sua vontade quebrada, para que com o passar do tempo possam nos servir criando itens, nos entretendo ou até protegendo a nossa base. Ou seja, se trata de uma parte que embora não seja obrigatória, é importante na jogabilidade e está dentro do contexto daquele universo.

Porém, é de se imaginar que algumas pessoas não gostem muito da ideia e quem falou sobre isso foi Joel Bylos, diretor criativo do Conan Exiles.
 

 

“Eu não sei se será ofensivo para algumas pessoas ouvirem isso, então deixe eu me desculpar de antemão. Direi que, sendo australiano, tenho menos bagagem cultural com a escravidão do que um americano teria, por exemplo. Eu não cresci com essa história, então é um pouco difícil para mim me colocar no lugar de qualquer pessoa que tenha isso […] Mas na história, isso é parte do mundo Hyboriano.
 
Eu diria que acredito firmemente no fato de que só porque você faz algo em um videogame, não faz na vida real e a maioria das pessoas estão cientes disso. Entendo que este é um elemento problemático, mas ele não veio da malícia […] Eu diria que veio de um lugar em que, mecanicamente, pensamos que seria bem interessante para as pessoas.â€



Não resta dúvidas de que o tema é delicado e isso fica claro nas próprias palavras do game designer, que a todo momento toma um enorme cuidado para falar sobre o assunto. O curioso é que a questão da escravidão poderia ter sido ainda mais polêmica, já que inicialmente a Funcom pretendia que os jogadores escravizassem outros jogadores e isso só não aconteceu porque a equipe teve problemas para implementar o recurso.

Talvez o que pegue aqui é o fato de que, ao contrário do que temos em filmes, num jogo somos nós que tomamos a iniciativa de praticar algo tão absurdo como a escravidão e embora eu não tenha visto pessoas reclamando do game por aí, pode ser que isso não esteja acontecendo apenas por o título não ser tão popular.

Enfim, há alguns dias venho jogando o Conan Exiles e apesar dele possuir uma série de problemas sérios, como a falta de sincronismo do áudio, um sistema de batalhas precário e uma progressão bem lenta, estou gostando muito do que ele tem a oferecer e pretendo me dedicar mais ao game. Eu ainda não cheguei no ponto de escravizar alguém, mas para um personagem que tem andado por aí se alimentando de carne humana para manter o estômago cheio, talvez isso nem venha a ser um grande problema.
 
Fonte Meio Bit

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Eu diria que acredito firmemente no fato de que só porque você faz algo em um videogame, não faz na vida real e a maioria das pessoas estão cientes disso. Entendo que este é um elemento problemático, mas ele não veio da malícia […] Eu diria que veio de um lugar em que, mecanicamente, pensamos que seria bem interessante para as pessoas.â€

 

Ótima reposta! Como o mundo tá chato, tudo é motivo pra polêmica, tanta coisa mais importante pra se preocupar do que vídeo-game.

Até porque isso pode ser retratado em livros, filmes, séries, mas um jogo vai fazer lavagem cerebral no indivíduo a ponto dele gostar da ideia de escravizar alguém.

Esse pessoal tá perdendo tempo sendo politicamente correto, poderiam estar seguindo carreira como comediante, talento pra fazer os outros rirem eles tem.

 

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Rapaz, está nesse nível? Então quer dizer que não se pode mais contar histórias que tenham casos polêmicos?

 

Um autor de novela, filme, seriado, não pode mais falar de escravidão? Violência conta mulheres? Ou algum outro tema que toca na ferida?

 

O jeito certo de enfrentar essas coisas é conhecendo e não escondendo como se nada disso tivesse acontecido! Violência contra mulheres, gays, crianças, negros sempre teve... e não é escondendo que irá resolver essa questão! Os videogames são obras de ficção, é apenas mais uma forma de se contar a história! Aquele vídeo do TLOU 2 foi polêmico porque teve violência contra mulheres, agora estão chiando por causa de um jogo que mostra escravidão! O pessoal tem que começar a se preocupar com o que realmente importa, com a vida real e não com obras de ficção, como filmes, livros e jogos de videogame! Se a pessoa faz algo relacionado a isso é que ele já tem pre-disposição para cometer, não precisa de incentivos externos para fazer isso!

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É uma obra de ficção.

 

Qual é a dificuldade das pessoas em entenderem isso?

 

Se tiver que colocar um cachorro dirigindo um Uno, daqui a pouco a Sociedade Protetora dos Cachorros Amantes de Uno vai reclamar também?

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Eu diria que acredito firmemente no fato de que só porque você faz algo em um videogame, não faz na vida real e a maioria das pessoas estão cientes disso. Entendo que este é um elemento problemático, mas ele não veio da malícia […] Eu diria que veio de um lugar em que, mecanicamente, pensamos que seria bem interessante para as pessoas.â€

 

Ótima reposta! Como o mundo tá chato, tudo é motivo pra polêmica, tanta coisa mais importante pra se preocupar do que vídeo-game.

Até porque isso pode ser retratado em livros, filmes, séries, mas um jogo vai fazer lavagem cerebral no indivíduo a ponto dele gostar da ideia de escravizar alguém.

Esse pessoal tá perdendo tempo sendo politicamente correto, poderiam estar seguindo carreira como comediante, talento pra fazer os outros rirem eles tem.

A questão não é ser retratado, mas ser explorado, ser uma coisa que o jogador pode fazer no jogo. Na minha opinião, no primeiro parágrafo do texto ele deu a resposta mais sincera e anti-hipócrita que já li, sem medo de assumir a sua ignorância sobre o assunto e mostrando coragem, também, ao dizer que aquilo não faz parte da vida dele, do universo dele, então por isso ele a retratou no jogo:

 

 

 

“Eu não sei se será ofensivo para algumas pessoas ouvirem isso, então deixe eu me desculpar de antemão. Direi que, sendo australiano, tenho menos bagagem cultural com a escravidão do que um americano teria, por exemplo. Eu não cresci com essa história, então é um pouco difícil para mim me colocar no lugar de qualquer pessoa que tenha isso […] Mas na história, isso é parte do mundo Hyboriano.

 

O racismo (e consequentemente a escravidão) é um tema delicadíssimo nos EUA, assim como o nazismo o é em diversos países da Europa. A Alemanha e Ãustria inclusive possuem uma atitude repressora e anti-democrática quando o assunto é o pensamento nazista. Como exemplo temos Wolfenstein, que tem uma versão própria para esses países e inclusive versões fora dessa região são bloqueadas via disco e IP - não adianta importar o jogo ou fazer uma conta em outro país.

 

Citando um outro exemplo: o Japão. Por lá a homossexualismo e pedofilia não são um temas digamos tabu - tanto que a pena por ter esse material sexual de crianças não é tão grave assim. Já aqui no ocidente a coisa é mais complicada, sendo que diversos jogos tiveram que ser adaptados sendo que alguns deles foram até censurados por isso. E mesmo quando não censurados, sofrem fortes críticas pelo seu conteúdo. E nem vou falar de religião. :)

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Homens com as jirombas amostra...transformar outros em escravos?   :nuss: .................................................................Tio vai pro inferno

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Rapaz, está nesse nível? Então quer dizer que não se pode mais contar histórias que tenham casos polêmicos?

 

Um autor de novela, filme, seriado, não pode mais falar de escravidão? Violência conta mulheres? Ou algum outro tema que toca na ferida?

 

O jeito certo de enfrentar essas coisas é conhecendo e não escondendo como se nada disso tivesse acontecido! Violência contra mulheres, gays, crianças, negros sempre teve... e não é escondendo que irá resolver essa questão! Os videogames são obras de ficção, é apenas mais uma forma de se contar a história! Aquele vídeo do TLOU 2 foi polêmico porque teve violência contra mulheres, agora estão chiando por causa de um jogo que mostra escravidão! O pessoal tem que começar a se preocupar com o que realmente importa, com a vida real e não com obras de ficção, como filmes, livros e jogos de videogame! Se a pessoa faz algo relacionado a isso é que ele já tem pre-disposição para cometer, não precisa de incentivos externos para fazer isso!

Mas como ele disse: pra ele, um australiano, não é algo ofensivo. É um tema polêmico e sempre vai causar confusão.

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Sim, claro, porque é muito mais saudável fazer de contas que atrocidades nunca aconteceram;;; e explicar que bebês são trazidos por uma cegonha, afinal, todos nos sabemos que isso é verdade, certo?

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Para nos aqui no Brasil que temos a política de gênero, novelas da globo e o funk, nem devemos entrar nessa polêmica. Lá eles tem pouca coisa pra polemizar, já nós vanusa dedos pra contar as polêmicas

 

Recomendações: http://forum.mypst.com.br/index.php/topic/16280-recomendacoes-pagan-race/

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Sim, claro, porque é muito mais saudável fazer de contas que atrocidades nunca aconteceram;;; e explicar que bebês são trazidos por uma cegonha, afinal, todos nos sabemos que isso é verdade, certo?

Quando eu era moleque adora 1942. Joguei muito no arcade e no Nes. Mas uma coisa eu não entendia...

A produtora do jogo era japonesa, a Capcom. No jogo pilotamos uma nave norte americana durante a batalha do Pacífico com o objeto de destruir a frota japonesa (que no começo do jogo destrói um porta aviões norte-americano) até chegarmos ao Encouraçado Yamato e por fim destruí-lo. WTF!?!?!  :jackie_chan:  :jackie_chan:  

 

Ah.. os japoneses. Não existe ser mais bizarros do que eles. 

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Quando eu era moleque adora 1942. Joguei muito no arcade e no Nes. Mas uma coisa eu não entendia...

A produtora do jogo era japonesa, a Capcom. No jogo pilotamos uma nave norte americana durante a batalha do Pacífico com o objeto de destruir a frota japonesa (que no começo do jogo destrói um porta aviões norte-americano) até chegarmos ao Encouraçado Yamato e por fim destruí-lo. WTF!?!?!  :jackie_chan:  :jackie_chan:  

 

Ah.. os japoneses. Não existe ser mais bizarros do que eles. 

 

Nihon não se importa com https:shenanigans vò___Ó

Por isso que aquele povo xenofóbico rula Ò___óv

v Ò___Ó v

(to parecendo nixon com esses V)

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Rapaz, está nesse nível? Então quer dizer que não se pode mais contar histórias que tenham casos polêmicos?

 

Um autor de novela, filme, seriado, não pode mais falar de escravidão? Violência conta mulheres? Ou algum outro tema que toca na ferida?

 

O jeito certo de enfrentar essas coisas é conhecendo e não escondendo como se nada disso tivesse acontecido! Violência contra mulheres, gays, crianças, negros sempre teve... e não é escondendo que irá resolver essa questão! Os videogames são obras de ficção, é apenas mais uma forma de se contar a história! Aquele vídeo do TLOU 2 foi polêmico porque teve violência contra mulheres, agora estão chiando por causa de um jogo que mostra escravidão! O pessoal tem que começar a se preocupar com o que realmente importa, com a vida real e não com obras de ficção, como filmes, livros e jogos de videogame! Se a pessoa faz algo relacionado a isso é que ele já tem pre-disposição para cometer, não precisa de incentivos externos para fazer isso!

exatamente isso...

 

eu acho tao maneiro jogos que mostram "outra realidade",  como o Assassin's Creed: Freedom Cry ,Never Alone,

This War of Mine: The Little Ones,Detroit: Become Human, entre outros...

 

E a escravidão ser mostrada em jogo, nao vai tonar as pessoas mais racista , só faz nos lembra de como o nosso passado pode ser horrível...

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exatamente isso...

 

eu acho tao maneiro jogos que mostram "outra realidade",  como o Assassin's Creed: Freedom Cry ,Never Alone,

This War of Mine: The Little Ones,Detroit: Become Human, entre outros...

 

E a escravidão ser mostrada em jogo, nao vai tonar as pessoas mais racista , só faz nos lembra de como o nosso passado pode ser horrível...

Mas a escravidão não é mostrada, é uma mecânica do jogo. O jogador escraviza e tortura pessoas para conseguir itens. É questionável, mas sempre vamos desagradar alguém. É como se uma produtora que não tem qualquer relação com judeus ou a 2.ª Guerra Mundial fizesse um jogo onde em um dado momento você tivesse que gerenciar um campo de concentração. O cara faz porque não o agride, ele não tem bagagem cultural para isso. No caso do Conan, isso pega muito mal nos Estados Unidos, que sempre teve tensões raciais acirradas.

 

No Call of Duty por exemplo, muita gente pede uma campanha com  o Eixo, porém os produtores já disseram que não vão fazer. Inclusive no multiplayer nem suástica tem. Wolfeinstein sofre forte censura na Alemanha e em outros países, quando não é banido. Então vai muito da história e da relação que o país tem com o tema.

 

P.S: Certa vez assisti um vídeo sobre a história de Street Fighter 2. No jogo teria um personagem negro, com correntes e visual totalmente estereotipado. Pros japoneses estava ok, nem agressivo eles acharam. Já para a parte americana da equipe, aquilo era ofensivo e de mal gosto, então decidiram mudar.

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Mas a escravidão não é mostrada, é uma mecânica do jogo. O jogador escraviza e tortura pessoas para conseguir itens. É questionável, mas sempre vamos desagradar alguém. É como se uma produtora que não tem qualquer relação com judeus ou a 2.ª Guerra Mundial fizesse um jogo onde em um dado momento você tivesse que gerenciar um campo de concentração. O cara faz porque não o agride, ele não tem bagagem cultural para isso. No caso do Conan, isso pega muito mal nos Estados Unidos, que sempre teve tensões raciais acirradas.

 

No Call of Duty por exemplo, muita gente pede uma campanha com  o Eixo, porém os produtores já disseram que não vão fazer. Inclusive no multiplayer nem suástica tem. Wolfeinstein sofre forte censura na Alemanha e em outros países, quando não é banido. Então vai muito da história e da relação que o país tem com o tema.

 

P.S: Certa vez assisti um vídeo sobre a história de Street Fighter 2. No jogo teria um personagem negro, com correntes e visual totalmente estereotipado. Pros japoneses estava ok, nem agressivo eles acharam. Já para a parte americana da equipe, aquilo era ofensivo e de mal gosto, então decidiram mudar.

 

concordo com você plenamente... 

a questão não é mostrar a escravidão...  é mostrar que 'ela é boa' pro jogador, que vai ganhar itens e outros recursos com isso..

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É um assunto muito polêmico, não dá pra levar no "é só ficção"/"É só um jogo", tem uma tonelada de bagagem envolvida.

 

Nós gamers somos por muitos momentos um bocado hipócritas, enchemos o peito para defender nosso hobbie quando surge uma matéria associando violência com os jogos, argumentando que "não é porque eu toco o inferno no GTA que eu vou reproduzir o mesmo na vida real".

Mas a verdade nua e crua é que simuladores são usados para treinar pilotos e profissionais de todo tipo de função e área, diversos exércitos já confirmaram usar alguns jogos eletrônicos para treinar os soldados, desde a parte tática até o simples fator "se acostumar com a violência".

 

Surge uma notícia no jornal sobre um assalto, troca de tiros, ou qualquer tipo de notícia que envolva armas e o que mais tem é gamer esbanjando conhecimento sobre as armas, calibres, funcionamento, tamanho de pente, modos de disparo, o que o policial fez errado, postura, coice, recuo, modificações, "o quão difícil era esse disparo pela distância e alcance da arma", condições climáticas, queda da bala...

Fica a pergunta, aprenderam aonde essas informações? Pois é...

 

Nós somos esponjas de conhecimento, a diferença é a maneira como cada um absorve a exposição que sofre.

 

Eu sou um cara que enxerga nitidamente limites que não devem ser cruzados, não por simples censura, mas por falta de necessidade.

Um bom exemplo desse pensamento aplicado? GTA. Tu tem um universo cagado de tão "errado" no sentido moral da coisa, ainda assim, os produtores se preocupam em não tornar possível nenhum tipo de interação com crianças.

 

Isso significa que não existe violência contra criança no mundo? Não, tão pouco significa que censurar esse tipo de "verdade" em GTA, por exemplo, irá diminuir os índices de violência infantil. A questão aqui é: Qual a necessidade? Vai estragar o enredo? É parte crucial da experiência? Não? Então deixa pra lá.

 

Sabedoria e maturidade não tem a ver com saber diferenciar realidade de ficção, tem a ver com enxergar além da sua própria realidade, levar em consideração o seu próximo e avaliar se realmente há necessidade em criar/consumir esse conteúdo.

 

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Adendo aplicado a matéria em questão:

 

Achei o cara super sensato e honesto no depoimento dele:

“Eu não sei se será ofensivo para algumas pessoas ouvirem isso, então deixe eu me desculpar de antemão. Direi que, sendo australiano, tenho menos bagagem cultural com a escravidão do que um americano teria, por exemplo. Eu não cresci com essa história, então é um pouco difícil para mim me colocar no lugar de qualquer pessoa que tenha isso […] Mas na história, isso é parte do mundo Hyboriano."

 

Tem muito do que eu mencionei no comentário anterior.

Ele mostra que na realidade dele, no mundinho dele isso não é um problema.

Ele mostra que entende que isso não se aplica da mesma maneira a todas as pessoas em países e culturas diferentes, se desculpa e argumenta que no universo que ele criou isso é necessário e parte importante do mundo que ele deu vida.

 

Se a respostas dele justifica, aí já é outra questão de interpretação muito pessoal.

Acredito que nesse caso, cabe a cada consumidor avaliar se isso vai ou não impactar sua decisão de adquirir e jogar o game.

 

Na atual geração é sempre mais difícil lidar com esses assuntos de consciência, as vezes nos pegamos sendo um bocado "parciais" nos julgamentos.

Até porque, somos a geração que cresceu usando escravos para criar nossos impérios em Age of Empires, ou estou errado?

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É um assunto muito polêmico, não dá pra levar no "é só ficção"/"É só um jogo", tem uma tonelada de bagagem envolvida.

 

Nós gamers somos por muitos momentos um bocado hipócritas, enchemos o peito para defender nosso hobbie quando surge uma matéria associando violência com os jogos, argumentando que "não é porque eu toco o inferno no GTA que eu vou reproduzir o mesmo na vida real".

Mas a verdade nua e crua é que simuladores são usados para treinar pilotos e profissionais de todo tipo de função e área, diversos exércitos já confirmaram usar alguns jogos eletrônicos para treinar os soldados, desde a parte tática até o simples fator "se acostumar com a violência".

 

Surge uma notícia no jornal sobre um assalto, troca de tiros, ou qualquer tipo de notícia que envolva armas e o que mais tem é gamer esbanjando conhecimento sobre as armas, calibres, funcionamento, tamanho de pente, modos de disparo, o que o policial fez errado, postura, coice, recuo, modificações, "o quão difícil era esse disparo pela distância e alcance da arma", condições climáticas, queda da bala...

Fica a pergunta, aprenderam aonde essas informações? Pois é...

 

Nós somos esponjas de conhecimento, a diferença é a maneira como cada um absorve a exposição que sofre.

 

Eu sou um cara que enxerga nitidamente limites que não devem ser cruzados, não por simples censura, mas por falta de necessidade.

Um bom exemplo desse pensamento aplicado? GTA. Tu tem um universo cagado de tão "errado" no sentido moral da coisa, ainda assim, os produtores se preocupam em não tornar possível nenhum tipo de interação com crianças.

 

Isso significa que não existe violência contra criança no mundo? Não, tão pouco significa que censurar esse tipo de "verdade" em GTA, por exemplo, irá diminuir os índices de violência infantil. A questão aqui é: Qual a necessidade? Vai estragar o enredo? É parte crucial da experiência? Não? Então deixa pra lá.

 

Sabedoria e maturidade não tem a ver com saber diferenciar realidade de ficção, tem a ver com enxergar além da sua própria realidade, levar em consideração o seu próximo e avaliar se realmente há necessidade em criar/consumir esse conteúdo.

Disse tudo. Qualquer pesquisa básica de comportamento sabe da potencialidade influenciadora que os jogos eletrônicos tem causado junto a outros elementos que fazem parte da vida de um sujeito. Dizer que um jogo é "apenas um jogo", é o mesmo que dizer que uma música é "apenas uma musica" ou uma obra literária é "apenas uma obra literária" e esquecer que por trás de todas essas formas artísticas e de entretenimento, há uma bagagem cultural forte que pode exercer uma forte influencia diante de um determinado contexto social que uma pessoa se encontra. Sabemos que muitos jogos eletrônicos hoje estão se tornando uma fonte de conhecimento por abordar diversos temas que convidam as pessoas a refletirem. Não sou contra a exposição de temas polêmicos, pq eles merecem sim ter um espaço para serem discutidos, mas que as produtoras tenham consciência da forma mais adequada para lidar com um determinado tema, pensando nos impactos que eles possam ter ao serem colocados em um jogo. 

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Esse jogo é perigoso mesmo.

 

Eu joguei e agora estou louco pra ter um escravo aqui em casa.

 

#pas

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Disse tudo. Qualquer pesquisa básica de comportamento sabe da potencialidade influenciadora que os jogos eletrônicos tem causado junto a outros elementos que fazem parte da vida de um sujeito. Dizer que um jogo é "apenas um jogo", é o mesmo que dizer que uma música é "apenas uma musica" ou uma obra literária é "apenas uma obra literária" e esquecer que por trás de todas essas formas artísticas e de entretenimento, há uma bagagem cultural forte que pode exercer uma forte influencia diante de um determinado contexto social que uma pessoa se encontra. Sabemos que muitos jogos eletrônicos hoje estão se tornando uma fonte de conhecimento por abordar diversos temas que convidam as pessoas a refletirem. Não sou contra a exposição de temas polêmicos, pq eles merecem sim ter um espaço para serem discutidos, mas que as produtoras tenham consciência da forma mais adequada para lidar com um determinado tema, pensando nos impactos que eles possam ter ao serem colocados em um jogo.

Inicialmente eu iria discordar fortemente de você, pesquisa básicas são perigosas, é importante começar a fazer perguntas para pesquisas, hoje nós apenas vemos pesquisas para afirmar nosso argumento. E para minha, uma jogo é apenas um jogo, uma música é apenas uma música, e uma obra é apenas uma obra. Porém, concordo que eles podem fazer parte de uma influencia política ou de outras vias, e nós no Brasil tivemos muito isso sem perceber nas últimas décadas, então quando um grande conjunto dessas obras tem um viés intencional nas entrelinhas é problemático na minha opinião, ou ao menos isso deve ser esclarecido, mostrado e debatido.

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Quanto mimimi por causa de um jogo, até parece que alguém aqui viveu a época da escravidão, vamos virar a pagina, superar isso e seguir em frente. Como bem falou o Morgan Freeman, â€œSe você fala sobre isso, isso existe. Não é que isto exista e nós nos recusamos a falar sobre isso. O problema aqui é fazer disso um problema maior do que ele precisa ser.â€

 

Escravidão não existe mais! (Não do jeito que era no passado) 

Agora viremos o disco.

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Quanto mimimi por causa de um jogo, até parece que alguém aqui viveu a época da escravidão, vamos virar a pagina, superar isso e seguir em frente. Como bem falou o Morgan Freeman, â€œSe você fala sobre isso, isso existe. Não é que isto exista e nós nos recusamos a falar sobre isso. O problema aqui é fazer disso um problema maior do que ele precisa ser.â€

 

Escravidão não existe mais! (Não do jeito que era no passado) 

Agora viremos o disco.

Tio, não existe isso para você, pra mim (e sou negro) que mora no Brasil. Nos Estados Unidos é outra coisa. A tensão racial lá ainda é muito forte. O Diretor bem disse " Direi que, sendo australiano, tenho menos bagagem cultural com a escravidão do que um americano teria, por exemplo. Eu não cresci com essa história, então é um pouco difícil para mim me colocar no lugar de qualquer pessoa que tenha isso […] Mas na história, isso é parte do mundo Hyboriano.". Ou seja,o tema escravidão, para um australiano, não causa nenhum desconforto. Por isso mesmo, não teve problema nenhum em por no jogo. Quero ver ele fazer um jogo onde o objetivo e matar aborígenes pra ver a confusão que ele teria que enfrentar.

 

Da mesma forma o Nazismo, antissemitismo não causam desconforto nos EUA e jogos como Wolfeinstein (que de forma alguma faz apologia ao Nazismo) são lançados lá numa boa. Já na Alemanha e Ãustria não.

 

Também podemos citar o Japão onde suicídio, sexo, homossexualismo, pedofilia, erotização de crianças e objetificação das mulheres são temas recorrentes em animes, jogos e mangásmas que são mau vistos no ocidente, sendo inclusive censurados por aqui - pedofilia nos EUA e Europa é algo execrado pela sociedade. Mas olha só, Conan Exiles pode ser banido no Japão não pelo uso da escravidão, mas sim por causa de nudez explícita, que é proibido por lá.

 

Imagine se uma produtora lança um jogo onde você controla um criminoso e o seu objetivo é matar civis, policiais, roubar, estuprar etc, e que no fim este saísse ileso. Na situação atual do Brasil, isso com certeza seria alvo de polêmica, da mesma forma que temas sobre homossexualidade e religião sempre são.

 

O jogo em questão não está sendo criticado por mostrar a escravidão, mas sim por esta ser uma mecânica do jogo, uma coisa que o jogador é protagonista, o que para um australiano é normal, mas não para outras partes do mundo. Não é mimimi, mas sim questionamentos de pessoas que tem a bagagem cultural que o tal produtor não tem.

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Escravidão não existe mais! (Não do jeito que era no passado) 

 

Sim...

 

Hoje ela vem em forma de "Platinas"  :coolface:

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Eu entendi o argumentos dos colegas citados aqui nesse tópico, porém não concordo como as coisas acontecem.

 

Um jogo como esse joga quem quer, não é como se onde você fosse visse algo relacionado ao jogo, a não ser que pesquise vídeos diretamente na internet ou um de seus amigos compartilhe em uma rede social. Se você não gosta da forma como abordam determinado assunto é só ignorar. Até porque se for assim, o humor negro não existiria, não teríamos tantos filmes e livros que abordam esses tabus e não buscam discutir de forma saudável nem nada.

 

Outro ponto que posiciono contra, é a sociedade evitar discutir certos assuntos por considerarem polêmicos (machismo, homofobia, pedofilia, assédio, depressão, nudez, sexo, etc) e muito dos problemas que acabam tendo ou podem ter é por evitá-los.

 

Um exemplo que temos no nosso próprio país: política, por causa da ditadura criou-se aquela ideia que não devemos discutir sobre, e mesmo como os movimentos pela democracia e nos dando direito ao voto, nunca fomos pessoas que discutiam ativamente sobre política, no máximo que se precisa fazer uma obra aqui, ajeitar a escola ali, comprar os medicamentos para o posto do bairro.

Agora vemos um país dividido politicamente, porém com um número maior de pessoas discutindo, investigando e acompanhando quem elege. Sugerindo leis e possíveis reformas. Só assim vamos melhorar o Brasil, pensar mais no coletivo do que em mim mesmo, candidato prometeu dar uma força ao pessoal daquele bairro, faz uma festa, paga um gás, água e foda-se as propostas do mesmo ou o quanto ele já roubou.

 

Até quando vamos evitar discutir esses assuntos por serem algo negativo na história do nosso país ou de uma pessoa ? Eu acredito no avanço de uma sociedade quando ela discute, analisa e aprende o que se pode tirar daquele feito, não adianta tentar ignorar que aquilo nunca aconteceu ou que um dia ninguém vai lembrar, porque vão lembrar sim e mesmo que já tenha passado vai deixar a sensação de que a sociedade não superou aquilo e por medo evita falar sobre para que isso nunca mais volte a ocorrer. Não é assim que funciona, superando aquilo e se discutindo abertamente sem medos e falsos moralismos, podemos fazer a abordagem que for no meio da ficção que não incomodaria ninguém, afinal aquilo ali é um passado que não pode ser mudado, porém já foi superado.

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Eu entendi o argumentos dos colegas citados aqui nesse tópico, porém não concordo como as coisas acontecem.

 

Um jogo como esse joga quem quer, não é como se onde você fosse visse algo relacionado ao jogo, a não ser que pesquise vídeos diretamente na internet ou um de seus amigos compartilhe em uma rede social. Se você não gosta da forma como abordam determinado assunto é só ignorar. Até porque se for assim, o humor negro não existiria, não teríamos tantos filmes e livros que abordam esses tabus e não buscam discutir de forma saudável nem nada.

 

Outro ponto que posiciono contra, é a sociedade evitar discutir certos assuntos por considerarem polêmicos (machismo, homofobia, pedofilia, assédio, depressão, nudez, sexo, etc) e muito dos problemas que acabam tendo ou podem ter é por evitá-los.

 

Um exemplo que temos no nosso próprio país: política, por causa da ditadura criou-se aquela ideia que não devemos discutir sobre, e mesmo como os movimentos pela democracia e nos dando direito ao voto, nunca fomos pessoas que discutiam ativamente sobre política, no máximo que se precisa fazer uma obra aqui, ajeitar a escola ali, comprar os medicamentos para o posto do bairro.

Agora vemos um país dividido politicamente, porém com um número maior de pessoas discutindo, investigando e acompanhando quem elege. Sugerindo leis e possíveis reformas. Só assim vamos melhorar o Brasil, pensar mais no coletivo do que em mim mesmo, candidato prometeu dar uma força ao pessoal daquele bairro, faz uma festa, paga um gás, água e foda-se as propostas do mesmo ou o quanto ele já roubou.

 

Até quando vamos evitar discutir esses assuntos por serem algo negativo na história do nosso país ou de uma pessoa ? Eu acredito no avanço de uma sociedade quando ela discute, analisa e aprende o que se pode tirar daquele feito, não adianta tentar ignorar que aquilo nunca aconteceu ou que um dia ninguém vai lembrar, porque vão lembrar sim e mesmo que já tenha passado vai deixar a sensação de que a sociedade não superou aquilo e por medo evita falar sobre para que isso nunca mais volte a ocorrer. Não é assim que funciona, superando aquilo e se discutindo abertamente sem medos e falsos moralismos, podemos fazer a abordagem que for no meio da ficção que não incomodaria ninguém, afinal aquilo ali é um passado que não pode ser mudado, porém já foi superado.

Eu entendo e concordo com o seu ponto de vista. Entretanto, de acordo com o próprio diretor do jogo, a escravidão no jogo é utilizada para conseguir itens e melhorias pra cidade, isso através de tortura. Ela não está ali para ser discutida: é uma representação do que aconteceu na "vida real", e o jogador é protagonista disso. De novo, a resposta dele foi uma das melhores que já li: não se desculpou, não foi hipócrita, foi sim humilde o suficiente pra dizer que aquilo não o afetava justamente por não fazer parte da bagagem cultural dele. Tenho certeza que existem assuntos que o afetam como australiano, ser humano, pai, marido, etc e que ele não colocaria no jogo. E não tem nada de errado com isso, pois se analisarmos bem, muitos dos nosso atos podem causar repulsa a outras pessoas. Ora, se até comer carne causa repulsa em veganos - muitos nos nos chamam de carnistas, termo pejorativo para quem come carne.

 

Então o ponto central é que a escravidão não está presente no jogo para ser discutida e isso não é problema para um australiano que não tem uma bagagem cultural ou uma experiência com isso.

 

Vou citar um exemplo que presenciei... Infelizmente um amigo sofreu um acidente de trânsito: um motorista bêbado atingiu a moto que ele conduzia. Esse meu amigo ficou paralítico. Depois disso ele e a esposa começaram a se importar com a impunidade de quem causa acidentes embriagado, quando ele mesmo por diversas vezes dirigiu embriagado, e também começaram a fazer campanhas em prol da acessibilidade a cadeirantes. Antes do acidente, de infelizmente obterem essa "bagagem", ela não ligavam para esse tipo de coisa: não fazia parte do mundo deles. O mesmo vale para quem já sofreu abuso na infância, ou foi estuprado, sofreu violência doméstica: utilizar isso gratuitamente, fora de contexto em um jogo, causa sim a essas pessoas um mal estar. Elas tem o direito de criticar e é claro, de boicotar o jogo. :)

 

E você tem toda razão: o Brasil está do jeito que está justamente porque a maioria da população não discute, ou pior, não tem capacidade de discutir nada e passou a adotar  ideologias de políticos e pior, de youtubers. :)

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